Minha Opinião Sobre A Proibição Para Alguns Membros De Casar-se Em Alguns Templos Assembleianos (1)

Alguns dirigentes assembleianos, individualmente, ou os obreiros da igreja em decisão combinada, proíbem a realização do casamento, no templo da igreja, de pessoas que não são mais virgens. A solução para este impasse é o aluguel de salões de festas para a celebração religiosa.

Nestes casos, os convidados – a própria igreja, os irmãos em Cristo – se reúnem no salão de festas para prestigiarem os noivos. Um pastor assembleiano realiza o matrimônio; e assim, o desejo dos noivos de terem sua união testemunhada por todos os irmãos, e receberem a bênção de Deus diante deles é cumprido. Mas é evidente que um dos pré-requisitos para uma cerimônia perfeita é o de que aconteça na igreja. Portanto, quando não acontece fica um lembrete de reprovação aos noivos.

Não há porquê realizar o casamento, na igreja, de pessoas que não estão em comunhão. Se não comem da carne e não bebem do sangue de Cristo, como a sinceridade dos noivos seria reconhecida pelos irmãos? (1 Tm 5.22). Mas se houve arrependimento dos pecados, se a igreja perdoou aos tais, se passaram pela disciplina imposta e foram restituídos à comunhão, não há motivo para negar-lhes esta honra.

Olhando para a tradição secular, a noiva vestida de branco denota a sua própria pureza. E é claro que guardar-se para o casamento é o correto. No entanto, nós que conhecemos a Cristo, sabemos que somente ELE pode nos purificar, lavar nossas vestes e embranquecê-las (1 Co 6.11; 1 Jo 1.9; Ap 7.14; Ap 22.14; Lc 12.28). Por acaso aqueles que pecaram não podem mais casar-se? Nunca mais receberão a bênção de Deus no matrimônio? A fidelidade atual, dos noivos a Deus, não é suficiente para poderem usufruir dos Seus manjares? (1 Tm 4.1-5). Mas se podem casar-se, por que não na igreja? Se os irmãos, que constituem a igreja e são mais importantes do que o templo, participam do casamento, por que não compartilhar a estrutura da igreja que é de todos?

Ainda hoje, muitos forjam leis para não serem perseguidos por causa da cruz de Cristo. É mais fácil punir alguém indevidamente do que reconhecer e depender do Cristo crucificado (Gl 6.12; Mt 9.13).

“Eles têm zelo por vós, não como convém; mas querem excluir-vos, para que vós tenhais zelo por eles” (Gl 4.17)
“Antes, sede uns para com os outros benignos, misericordiosos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus vos perdoou em Cristo” (Ef 4.32)

Wesley Santos Rezende

Crentes Maquiavélicos

Ao contrário do princípio amoralista de que os fins justificam os meios, os cristãos têm a obediência a Deus como norteadora de suas vidas. Sabendo que o ser humano não é inerte: os meios pelos quais os cristãos conquistam algo são estritos aos preceitos do amor, respeito e humildade. Entretanto, temos em Deus a nossa força maior, e por obedecermos de coração a ELE sabemos que o nosso fim será glorioso; não pelas simples consequências de nossas práticas, mas pela resposta de Deus a elas. Somente a graça de Deus, revelada em Jesus Cristo, proporciona a salvação tão almejada!

Quando os meios condizentes à palavra de Deus são preservados, o nosso fim – a salvação – é garantido por ELE. Portanto, a nossa conduta diária nunca deve mudar em essência! A inconstância quanto à obediência a Deus põe em detrimento o fim desejado, além de não ser justificada nem pelo fim e nem pelo desejo. Deus não é relativo, e nada justifica a desobediência à Sua Palavra.

Entretanto, é comum encontrarmos pessoas maquiavélicas na igreja. Crentes em Maquiavel. Os meios, em essência, utilizados por estes é a desobediência a Deus, e o fim desejado é a inadiável aquisição de honra e autoafirmação. A ignorância e o amor à ilusão os fazem permanecerem crentes fiéis ao seu senhor: Maquiavel.

Eles, para se considerarem ungidos de Deus e também serem considerados por todos em volta, relatam com veemência as suas obras e responsabilidades honrosas entre o povo de Deus. Supervalorizam suas conquistas e conceituam a fidelidade à palavra de Deus como devendo ser relativa e, às vezes, dispensável.

Na verdade, os seus discursos se sintetizam em dizer a Deus: “Está vendo como eu não te obedeço, e mesmo assim as coisas dão certo?”. Tentam justificar-se exibindo uma situação pacífica ou o crescimento da igreja.

No entanto, esquecem-se de que não é mediante eles que a Igreja nasceu, cresce e permanece. Desprezam as misericórdias de Deus em suas vidas e subestimam os crentes fiéis a Cristo. Por acreditarem extremamente em seus métodos, duvidam do poder de Deus e prejudicam a Sua obra.

De fato, as portas do inferno não prevalecerão contra a Igreja. Os maquiavélicos, por confrontarem a Deus, serão julgados. Deus não se deixa escarnecer (Gl 6.7). Mas aos tais, Hoje (Hb 3.13) há ocasião para perdão e restauração.

Qualquer estado, por mais agradável que seja, não pode ser motivo para permanecermos em desobediência. O sacrifício tolo em sustentar um erro não protege a obra de Deus; a obra é protegida e sustentada por ELE para dar ocasião aos homens de se arrependerem de seus erros. O arrependimento e a confissão não nos desqualificam perante Deus; o que nos desqualificam são os pecados.

Sejamos coerentes à palavra de Deus, e não à nossa história de vida. A incoerência, em si, não caracteriza o que é certo ou errado. Os nossos prováveis erros no futuro não diminuem o mérito dos acertos de agora. E os nossos prováveis acertos no futuro não diminuem a gravidade dos erros de agora. Há momentos que a incoerência é bem-vinda. Quando estivermos em erro é necessário que mudemos de atitude, não valorizando a nossa imagem de homem coerente; mas deixando de lado o nosso passado comecemos a ser fiéis ao Senhor.

Sejamos integralmente fiéis a Deus, quer seja na bonança quer seja na aflição. Sejamos crentes na vontade de Deus em reparar os danos causados, na realização da obra confiada a nós, pela nossa dependência momentânea da desobediência. E principalmente, sejamos crentes no poder de Deus em reparar os danos causados em nós mesmos.

W.S. Rezende

“Descobrimos Que Você É Um Perdedor!”

Das várias oportunidades que tive na vida aproveitei as piores. Mas há uma exceção: eu aceitei a Cristo. A melhor coisa que me ofereceram e eu aceitei: Jesus Cristo, e a sua salvação. Após isso, aprendi a fazer boas escolhas. Jesus Cristo passou a fazer parte da minha vida; e nesta nova vida eu enxergo dádivas que com a Sua ajuda estão ao meu alcance.

Entretanto, depois de tudo ainda cometi erros. Não tento me justificar lembrando que todos os homens cometem erros. Eu sou culpado. Eu era culpado. Eu sou perdoado. Eu sou justificado (Rm 4.5; 8.33,34). Nada me impede de pedir perdão!

Tenho consciência dos meus erros, me envergonho deles diante de Deus. Por momentos, Satanás investe contra mim e eu fico envolto por suas acusações. E neste estado eu não oro a Deus, não busco a luz para que as minhas más obras não sejam reprovadas. Com isso, momentaneamente, tento me proteger da angústia e da dor. Mas é inútil. Afastar-me de Deus aumenta o meu sofrimento. Eu amo a Deus!

Mas o poder do Espírito Santo é maior! A minha tentativa de esconder-me dura pouco. Arrependo-me dela. Deus, por sua infinita misericórdia, me chama à Sua presença. Deus não me lançou fora!

Jesus e a Igreja são um (Mt 19.5,6). Cristo e eu somos um (Jo 17.21). Estamos unidos mediante o Seu sacrifício na cruz. Então por que tentam separar aquilo que é um? Por que insistem em enxergar em mim, como se fosse a minha realidade, a mediocridade que é a vida sem Cristo? Se conseguissem me separar de Cristo, eu me tornaria um perdedor (Rm 8.35-39). Mas Cristo está em mim, e por isso nunca conseguirão me analisar isoladamente.

Mas eles não reconhecem sua incapacidade, e forjam conceitos. Mentem e enganam. Eles me falam: “Descobrimos que você é um perdedor!”. É muita covardia ignorar os próprios erros, e se ocupar em condenar os dos outros para esquecer-se dos seus. No entanto, eles se distraem em me maltratar. Sempre fazem questão de lembrarem a decepção que sentem por mim.

Tudo isso por não conseguirem me entender. Por não me abrir com eles quanto à minha vivência diária – o que é desnecessário – acham que eu não confie neles, e por isso se sentem condenados por mim. Que loucura! Querem que eles sejam o principal foco da minha atenção. Sempre quero ajudá-los, mas nem sempre posso. Não se pode ter espírito faccioso, ter amigos restritos. Temos que fazer novos amigos, por em prática a nossa capacidade de amar o próximo. E a nossa atenção tem que estar dividida entre todos os que estão ao nosso alcance. Devemos ajudar amigos e inimigos.

Erraram em colocar em mim todas as suas esperanças. É óbvio que ficariam insatisfeitos. Mas, por isso, é correto afirmar que não tenho Deus na minha vida, que as minhas atitudes são más e que eu sou um fracassado?

A minha esperança maior é em Deus. Ainda bem que não sou movido pela admiração que tenham por mim. Sou movido pela vontade de agradar a Deus.


W.S. Rezende

Do Meu Interior, Lembranças E Amor

Todos nós estamos ligados ao passado de alguma forma; lembranças alegres e tristes fazem parte da vida. As lembranças ajudam-nos a fazermos escolhas corretas quando temos construído uma rica sabedoria mediante a análise de nossas experiências. Mas é pequena a ajuda oferecida pela nossa história, pois ela nos aponta somente parte dos nossos erros. Quem conhece todas as nossas falhas e, somente ELE, pode nos apontar soluções eficazes é Cristo!

O valor que damos às lembranças se reflete em nossa vida espiritual. Evidente que as lembranças más, que são particulares, não devem exercer maior influência em nós do que a certeza do perdão obtido. Se tivermos discernimento podemos julgar o quanto estamos desprendidos de nossas más atitudes, ou o quanto lutamos para conservar as boas. Quando há arrependimento e aceitamos a Cristo, as coisas ruins são perdoadas e temos ocasião para construirmos tudo novo em nossa vida (2 Co 5.17). Entretanto, podemos cair no erro de relatar a todos os maus exemplos que são do agrado de Deus que não relatemos — claro que devemos confessar nossos pecados uns aos outros (Tg 5.16), não basta somente contá-los a Deus em pensamento. Assim como a fé sem as obras é morta, confessar os pecados a Deus sem tomar as atitudes coerentes ao evangelho, aqui na terra, é uma ação inválida. Hipocrisia! No entanto, devemos ter prudência em utilizar em testemunhos ou aconselhamentos os erros que tenhamos confessado. Nem tudo pode vim a ser edificante.

Fato mais grave é se nos gloriarmos dos nossos erros, se utilizarmos deles para tentar adquirir posição de honra. Será que estaríamos libertos se nos alegrássemos em relatar aos outros as nossas oportunidades de cometer pecados, nossa possível proximidade a pessoas iníquas, nosso passado “glorioso” aos olhos cheios da vil concupiscência? Onde estaria nosso desejo por santidade? Onde estaria nosso amor a Deus? Pelo contrário, isso demonstraria nosso amor ao mundo e tudo que nele há! “Não ameis o mundo, nem o que no mundo há. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele.” (1 Jo 2.15).

Se tivermos em nós esse tipo de contentamento nos erros, grandes serão as nossas trevas! Pois ainda não teremos aprendido a nos alegrar na pureza dos caminhos de Deus. Neste caso; se, pela graça de Deus, identificamos esta falha, temos ocasião para purificar-nos segundo os estatutos do Altíssimo; podendo, a partir disso, ter a consciência pura diante DELE. Seremos sóbrios, “exercitados para discernir tanto o bem como o mal” (Hb 5.14). Mas, se somos repreendidos por Deus e não aceitamos, estaremos amando mais as trevas do que a luz. Aos tais resta “certa expectação horrível de juízo e ardor de fogo” (Hb 10.27) — “Quem ama a sua vida perdê-la-á, e quem, neste mundo, aborrece a sua vida, guardá-la-á para a vida eterna.” (Jo 12.25).

Devemos nos afastar de tudo em que há maldade, purificando primeiro nosso interior e, por conseguinte, o nosso exterior. (Mt 23.26). As constantes lembranças indicam nosso ardente desejo em repeti-las; se o bem, para peso de glória; se o mal, para condenação e morte.

“Aquele que se gloria, glorie-se no Senhor.” (1 Co 1.31)

Wesley Santos Rezende

Escravos Das Próprias Escolhas

Conservando o princípio da individualidade e exercendo o direito à liberdade, atitudes erradas surtem o efeito contrário. É possível batalhar contra a própria vida, felicidade e liberdade; quando acontece de forma consciente trata-se de suicídio, e quando, inconscientemente, trata-se de ignorância. O estado de vida falto de entendimento acarreta vários prejuízos, podendo até ser motivo da privação da glória de Deus na vida do ser humano (Ef 4.18; 1 Pe 1.14).

Um entre os fundamentos da fé cristã é a liberdade. O Senhor foi enviado “a apregoar liberdade aos cativos... a pôr em liberdade os oprimidos” (Lc 4.19). Quando ELE é recebido ensina todas as coisas (1 Jo 2.27), compartilhando ao homem a Sua mente – “Mas nós temos a mente de Cristo” (1 Co 2.16). Tendo certeza do que ELE é e sobre as coisas que acontecerão; espontaneamente o homem se sujeita à Sua vontade, sabendo que são mandamentos de vida.

No entanto, existem várias coisas pelas quais não se pode ser vencido. Algo de que já se houve liberdade, mas, entretanto, insiste em batalhar para voltar a ocupar espaço. O dia-a-dia proporciona vários perigos. Entre eles, a fidelidade a uma situação construída, a uma imagem exibida ou a uma opinião relatada, pode ser ativista do escravismo.

São escravos aqueles que são mais fiéis ao ego do que a Deus. Precisam ser libertos aqueles que têm medo de voltar atrás de uma decisão equivocada. Sofrerão os que valorizam o momento presente ilusório em detrimento da restauração dos padrões cristãos em suas vidas. Chorarão, ainda mais, os que adiam o sofrimento inevitável. Os que insistem, em si, em negar a gravidade dos seus erros acumularão para si mais dores.

“O que confia no seu próprio coração é insensato, mas o que anda sabiamente escapará.” Pv 28.26
“Confia o teu caminho ao Senhor; confia nele, e ele tudo fará.” Sl 37.5

Wesley Santos Rezende

O momento com Deus

Ele tem seu particular com Deus, e isso não me causa ciúmes, pois Deus também me reserva a Sua atenção. Quando ele quer me introduzir na presença do Altíssimo, num momento de exclusividade, fico apreensivo. Mas não me culpo, pois as minhas virtudes não podem ser desmerecidas por causa de uma crise no relacionamento de alguém com o Senhor. E também, ninguém adentra a presença de Deus sem a Sua permissão.

Não é me negando a estar presente que vou ajudá-lo a aproveitar sua intimidade com Deus. Não é me acovardando em entrar num ambiente de discórdia que serei um servo útil ao Senhor. Apesar de tudo, a consciência de que a minha presença nem sempre é proveitosa me protege de vários inconvenientes.

Todos nós, num estágio da vida, precisamos de alguém que nos influencie. Alguém de que tenhamos admiração, que nos transmita segurança para podermos imitá-lo. Mas existem excessos, como o desejo de ter uma pessoa que sirva de mestre em tudo. Geralmente, a primeira personificação de perfeição é a dos pais. Mas devemos chegar a um estágio de maturidade em que os julguemos. Nunca deve faltar amor e honra por eles, mas aquilo que nos transmitem deve ser examinado (1 Ts 5.21), e assim, se for bem, deve ser estabelecido em nós. – “Quem ama o pai ou a mãe mais do que a mim não é digno de mim” (Mt 10.37). O apóstolo Paulo, criado aos pés de Gamaliel, que por sua vez, era homem venerado entre os judeus, exemplifica, em parte, a dependência proposital na humanidade. Mas Paulo se desvencilhou disso, mesmo Gamaliel tendo méritos, receber algo do Senhor é muito melhor. Ninguém substitui Cristo no lugar de perfeição. Não podemos esquecer que o único digno de glória, e honra e poder é o Senhor. É a Ele que devemos imitar em tudo. É a Ele que temos que convidar a estar presente em todos os momentos de nossa vida – “Vós me chamais Mestre e Senhor e dizeis bem, porque eu o sou” (Jo 13.13).

Posso ajudá-lo a entender isso. Não sou prepotente, às vezes caio no mesmo erro, mas me disponho em servir a Deus. É pela vontade de Deus que me arrisco em expor conhecimento: Saul e Davi não rejeitaram o reinado, mas atenderam a chamada divina. Mesmo sabendo que a princípio Deus tinha sido rejeitado pelo povo (1 Sm 8.7), não se sentiram culpados pelo fim da teocracia. Havia a promessa de estabelecer um reinado humano (Gn 17.6; 49.10), mas o povo se precipitou; não soube aproveitar o momento de exclusividade com Deus, não soube discernir o momento certo para expandir suas relações sociais. Mas, por amor, dentro das falhas de alguns, Deus prepara servos para amenizarem os distúrbios do cotidiano.

Mas eu tenho que lembrá-lo dos prejuízos: A ira do Senhor se acendeu contra Moisés por faltar-lhe fé (Ex 4.14). Deus tinha interesse na exclusividade da realização daquela obra por Moisés – “Vai, pois, agora, e eu serei com a tua boca e te ensinarei o que hás de falar” (Ex 4.12).

É proveitoso lembrar-se da morte. Deus fez Josué lembrá-la: “Moisés, meu servo, é morto” (Js 1.2). – E agora? Quando procuro alguém confiável para estar comigo perante o Senhor e não encontro, e pior, encontro a oposição da morte? Deus, após confrontá-lo com a lembrança da morte, responde a essa pergunta: “Não to mandei eu? Esforça-te e tem bom ânimo; não pasmes, nem te espantes, porque o Senhor, teu Deus, é contigo, por onde quer que andares” (Js 1.9).

Por fim, farei um novo desafio a ele: Ao contrário de me convidar para interromper o particular que Deus te oferece, quando for se aproximar de mim convide a Deus para te fazer companhia. Não quero estar entre você e Deus, mas quero que Deus sempre esteja entre nós.

“E Jesus disse-lhe: Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento. Este é o primeiro e grande mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo.” (Mt 22.37-39)

Wesley Santos Rezende

Um matuto goiano

– A gente é um bicho muito misterioso; o mundo é uma preguiça; a vida é uma piada. O Cruzeiro do Sul sumiu, está do lado de lá do mundo. ‘Ah, meu Deus, ele era a minha diversão’! Agora eu fico aqui, imaginando o quê, ou de quem, pode ser os barulhos que vem de lá do Enxadão (córrego). Será que são fantasmas? Hum... Não me importo, só quero passar o tempo (risos). De dia não tem diversão, não tem risos; a labuta não é fácil! Faço cara feia, aqui neste sertão, porque o povo daqui é tudo metido a bravo. Meu pai me ensinou assim, mas à noite, quando tomava a cachaça e pegava a viola, suas lágrimas corriam; seus versos rimavam na melodia, e eu me surpreendia, não conhecia aquele homem. Pela manhã, aquela intimidade tinha fim. Eu não bebo, não toco viola; mas gosto de servir um licor de jabuticaba pras visitas, e espero ansioso pra ver um violeiro chorar. De vez em quando eu vou na cidade, mas é só pra comprar um salzinho pra criação. As coisas lá na Rua (apelido da corrutela), tão agitadas (risos), estão falando na tal da internet; queriam até me vender aquela geringonça. Mas ainda não tinham uma pra me mostrar. Como vou saber se é de comer ou de jogar fora?

E chegou a televisão na roça:

– Rapaz... Mas tem bobo pra tudo nessa vida (risos)! Você viu o tal do Bonner contando aquela história, sabe qual né (risos)? Moço, como que ele fala que não pode matar os animais? Tem umas pragas de uns macacos ali; direto, estão no meu milharal. Agora é sério, o Obama vai ganhar. E o Lula já está rondando por lá né; o bicho não é bobo não, é igual meus porquinhos, quando não estão na lavagem, estão na merda (risos). Estou pensando em comprar o tal do computador, parece que todo mundo tem; capaz que eu consigo domar esse trem. Mas ainda não vi nenhum proveito nisso. Agora eu penso em férias, em aposentadoria. Mas a vida está mais difícil. Meu amigo, e não é que a crise mundial chegou aqui também! Ah, me lembrei, estou num mato sem cachorro; como eu explico que zero é nada? Será que é mesmo? Já estou nos nervos com o moleque.

E chegou o evangelho:

– Cristo é bom demais! Ele veio até aqui, no Mato Grosso. É rapaz... Agora eu sou crente. Ó, eu não faço mais os licores não. Deixa eu te ensinar umas coisas, calma aí... Pronto. Minhas vistas estão cansadas, me faça um favor, leia aqui pra mim...

E eu, o matuto, mais uma vez voltei pra cidade. E depois de muito tempo, me converti ao evangelho. Não me lembro o que eu li, mas me lembro de ver esperança naquele olhar, enquanto eu estava com a Bíblia em mãos. Todo constrangido, com medo de decepcioná-lo por não entender qual era o seu sonho, mas com o meu coração ardendo em amor. Agora, olhando para trás e vendo todos estes personagens mato-grossenses, reúno-os em um. Toda a vivência, toda a fantasia, e toda a interferência divina me fazem enxergar a Cristo, sim, o quanto o Senhor é melhor, maior e é amor.

Wesley Santos Rezende

Onde estou?

Nem sempre é fácil discernir o momento da vida em que se vive. Quando há sentimentos fortes envolvidos numa inter-relação tem-se a sensação de aproveitamento do tempo – sensação de vida. E mesmo na solidão, quando existem intensos pensamentos que envolvem um conjunto distinto de possibilidades para uma decisão ou expectativa, que conscientemente podem levar à tristeza ou à felicidade, tem-se um êxtase; por haver uma visão de controle da própria vida – as próprias escolhas produzindo um futuro, desejado ou não. É neste estado de ocupação intelectual que o homem pode se sentir feliz.

Qualquer prática é concomitante a sentimentos. Estas práticas e sentimentos podem ser considerados, no momento, desprezíveis. Mas num futuro, podem gerar algo relativamente interessante – o homem sempre está ligado ao seu passado. Separando as práticas dos sentimentos vê-se o quanto o homem é contraditório. E, sob a influência ímpar ou par, o homem se liga ao futuro. Nesta esperança também se encontra a expectativa nas atitudes das outras pessoas. Mas quando a dependência maior é em Deus todas as possíveis frustrações são superadas.

Ninguém dentro de um ímpeto de felicidade se sente uma vaidade. E, ninguém no mais profundo sentimento de solidão, ignora a possibilidade de uma interferência humana ou divina. São extremos que não podem afastar o homem do próprio Deus! O que é um sentimento profundo de solidão? Quando se conhece a solidão de fato, percebe-se que ela é restrita a momentos. O homem se sente isolado da sociedade, da família; e pior, isolado dentro de si mesmo, não conseguindo unir-se para viver – existe uma guerra dentro do homem. E nestes momentos notam-se desamparados por Deus. Como alguém ainda tendo expectativas em Deus pode se sentir só? É por causa da consciência dos pecados. – Cristo tomou os pecados dos homens sobre si, se fez maldição (2 Co 5.21; Gl 3.13). Isso fez com que Ele experimentasse a separação com Deus Pai (Is 59.2): “Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?” (Mt 27.46). Após isso, Cristo bradou: “Está consumado” (Jo 19.30). E então, entregou o espírito. Assim tiveram fim os seus sofrimentos, e se consumou a redenção da humanidade.

Todo sentimento de perdão é precedido pelo sentimento de culpa. É neste intervalo que o homem se sente distante de Deus. Mas o permanecer nesta solidão é algo complexo. Apesar de Deus sempre estar disposto a perdoar (exceto Mt 12.31), o homem nem sempre alcança esta graça (Mt 13.15), e às vezes, alcança somente depois de muita demora. Por um tempo, tenta justificar-se, em si, com pensamentos predestinalistas. E mesmo depois, quando entende que Cristo pode resgatá-lo, tem certas reservas – homem de pequena fé. Mas este autoflagelo não é suportável por muito tempo. Então, o homem clama por misericórdia!

E depois de ter recebido o perdão? Nasce uma nova criatura. Mas talvez esta nova criatura não se prepara para enfrentar as conseqüências de seu pecado. Então, o contrapor-se das lembranças do mal ao sentimento de possibilidades de vida em Cristo traz a tristeza. De fato, isto é duvidar do perdão. Às vezes, o próximo é quem conduz o homem a esta dúvida – devido à opressão –; ou o próprio se enfraquece por não estar obtendo vitórias em seu cotidiano – o que é ignorância, pois a maior vitória é estar em Cristo. Enfim, novamente se aproxima de Deus, e nisso ele é aperfeiçoado pelo Altíssimo – então, passa a ter um caminho linear rumo ao Céu, quebrando o ciclo culpa-perdão-dúvida-culpa.

Pobre homem é aquele que tarda para identificar suas culpas. Isso acontece quando não está valorizando a presença de Deus – devido às distrações não nota Sua ausência –, quando não tem a atenção focada no Reino de Deus, e na sua justiça. No entanto, de alguma forma, o Senhor revela a situação pecaminosa em que o homem possa se encontrar (1 Co 5.5; Hb 12.6). Assim, onde havia loucura; com a resplandecente glória do Senhor passa a existir discernimento.

Somente Deus pode revelar em que situação o homem se encontra! E é a partir do conhecimento de Deus que o homem se ocupará em algo que verdadeiramente pode fazê-lo abundar em felicidade.

“Porque a palavra de Deus é viva, e eficaz, e mais penetrante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até à divisão da alma, e do espírito, e das juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração.” (Hb 4.12)

Wesley Santos Rezende