“Descobrimos Que Você É Um Perdedor!”

Das várias oportunidades que tive na vida aproveitei as piores. Mas há uma exceção: eu aceitei a Cristo. A melhor coisa que me ofereceram e eu aceitei: Jesus Cristo, e a sua salvação. Após isso, aprendi a fazer boas escolhas. Jesus Cristo passou a fazer parte da minha vida; e nesta nova vida eu enxergo dádivas que com a Sua ajuda estão ao meu alcance.

Entretanto, depois de tudo ainda cometi erros. Não tento me justificar lembrando que todos os homens cometem erros. Eu sou culpado. Eu era culpado. Eu sou perdoado. Eu sou justificado (Rm 4.5; 8.33,34). Nada me impede de pedir perdão!

Tenho consciência dos meus erros, me envergonho deles diante de Deus. Por momentos, Satanás investe contra mim e eu fico envolto por suas acusações. E neste estado eu não oro a Deus, não busco a luz para que as minhas más obras não sejam reprovadas. Com isso, momentaneamente, tento me proteger da angústia e da dor. Mas é inútil. Afastar-me de Deus aumenta o meu sofrimento. Eu amo a Deus!

Mas o poder do Espírito Santo é maior! A minha tentativa de esconder-me dura pouco. Arrependo-me dela. Deus, por sua infinita misericórdia, me chama à Sua presença. Deus não me lançou fora!

Jesus e a Igreja são um (Mt 19.5,6). Cristo e eu somos um (Jo 17.21). Estamos unidos mediante o Seu sacrifício na cruz. Então por que tentam separar aquilo que é um? Por que insistem em enxergar em mim, como se fosse a minha realidade, a mediocridade que é a vida sem Cristo? Se conseguissem me separar de Cristo, eu me tornaria um perdedor (Rm 8.35-39). Mas Cristo está em mim, e por isso nunca conseguirão me analisar isoladamente.

Mas eles não reconhecem sua incapacidade, e forjam conceitos. Mentem e enganam. Eles me falam: “Descobrimos que você é um perdedor!”. É muita covardia ignorar os próprios erros, e se ocupar em condenar os dos outros para esquecer-se dos seus. No entanto, eles se distraem em me maltratar. Sempre fazem questão de lembrarem a decepção que sentem por mim.

Tudo isso por não conseguirem me entender. Por não me abrir com eles quanto à minha vivência diária – o que é desnecessário – acham que eu não confie neles, e por isso se sentem condenados por mim. Que loucura! Querem que eles sejam o principal foco da minha atenção. Sempre quero ajudá-los, mas nem sempre posso. Não se pode ter espírito faccioso, ter amigos restritos. Temos que fazer novos amigos, por em prática a nossa capacidade de amar o próximo. E a nossa atenção tem que estar dividida entre todos os que estão ao nosso alcance. Devemos ajudar amigos e inimigos.

Erraram em colocar em mim todas as suas esperanças. É óbvio que ficariam insatisfeitos. Mas, por isso, é correto afirmar que não tenho Deus na minha vida, que as minhas atitudes são más e que eu sou um fracassado?

A minha esperança maior é em Deus. Ainda bem que não sou movido pela admiração que tenham por mim. Sou movido pela vontade de agradar a Deus.


W.S. Rezende

Do Meu Interior, Lembranças E Amor

Todos nós estamos ligados ao passado de alguma forma; lembranças alegres e tristes fazem parte da vida. As lembranças ajudam-nos a fazermos escolhas corretas quando temos construído uma rica sabedoria mediante a análise de nossas experiências. Mas é pequena a ajuda oferecida pela nossa história, pois ela nos aponta somente parte dos nossos erros. Quem conhece todas as nossas falhas e, somente ELE, pode nos apontar soluções eficazes é Cristo!

O valor que damos às lembranças se reflete em nossa vida espiritual. Evidente que as lembranças más, que são particulares, não devem exercer maior influência em nós do que a certeza do perdão obtido. Se tivermos discernimento podemos julgar o quanto estamos desprendidos de nossas más atitudes, ou o quanto lutamos para conservar as boas. Quando há arrependimento e aceitamos a Cristo, as coisas ruins são perdoadas e temos ocasião para construirmos tudo novo em nossa vida (2 Co 5.17). Entretanto, podemos cair no erro de relatar a todos os maus exemplos que são do agrado de Deus que não relatemos — claro que devemos confessar nossos pecados uns aos outros (Tg 5.16), não basta somente contá-los a Deus em pensamento. Assim como a fé sem as obras é morta, confessar os pecados a Deus sem tomar as atitudes coerentes ao evangelho, aqui na terra, é uma ação inválida. Hipocrisia! No entanto, devemos ter prudência em utilizar em testemunhos ou aconselhamentos os erros que tenhamos confessado. Nem tudo pode vim a ser edificante.

Fato mais grave é se nos gloriarmos dos nossos erros, se utilizarmos deles para tentar adquirir posição de honra. Será que estaríamos libertos se nos alegrássemos em relatar aos outros as nossas oportunidades de cometer pecados, nossa possível proximidade a pessoas iníquas, nosso passado “glorioso” aos olhos cheios da vil concupiscência? Onde estaria nosso desejo por santidade? Onde estaria nosso amor a Deus? Pelo contrário, isso demonstraria nosso amor ao mundo e tudo que nele há! “Não ameis o mundo, nem o que no mundo há. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele.” (1 Jo 2.15).

Se tivermos em nós esse tipo de contentamento nos erros, grandes serão as nossas trevas! Pois ainda não teremos aprendido a nos alegrar na pureza dos caminhos de Deus. Neste caso; se, pela graça de Deus, identificamos esta falha, temos ocasião para purificar-nos segundo os estatutos do Altíssimo; podendo, a partir disso, ter a consciência pura diante DELE. Seremos sóbrios, “exercitados para discernir tanto o bem como o mal” (Hb 5.14). Mas, se somos repreendidos por Deus e não aceitamos, estaremos amando mais as trevas do que a luz. Aos tais resta “certa expectação horrível de juízo e ardor de fogo” (Hb 10.27) — “Quem ama a sua vida perdê-la-á, e quem, neste mundo, aborrece a sua vida, guardá-la-á para a vida eterna.” (Jo 12.25).

Devemos nos afastar de tudo em que há maldade, purificando primeiro nosso interior e, por conseguinte, o nosso exterior. (Mt 23.26). As constantes lembranças indicam nosso ardente desejo em repeti-las; se o bem, para peso de glória; se o mal, para condenação e morte.

“Aquele que se gloria, glorie-se no Senhor.” (1 Co 1.31)

Wesley Santos Rezende

Escravos Das Próprias Escolhas

Conservando o princípio da individualidade e exercendo o direito à liberdade, atitudes erradas surtem o efeito contrário. É possível batalhar contra a própria vida, felicidade e liberdade; quando acontece de forma consciente trata-se de suicídio, e quando, inconscientemente, trata-se de ignorância. O estado de vida falto de entendimento acarreta vários prejuízos, podendo até ser motivo da privação da glória de Deus na vida do ser humano (Ef 4.18; 1 Pe 1.14).

Um entre os fundamentos da fé cristã é a liberdade. O Senhor foi enviado “a apregoar liberdade aos cativos... a pôr em liberdade os oprimidos” (Lc 4.19). Quando ELE é recebido ensina todas as coisas (1 Jo 2.27), compartilhando ao homem a Sua mente – “Mas nós temos a mente de Cristo” (1 Co 2.16). Tendo certeza do que ELE é e sobre as coisas que acontecerão; espontaneamente o homem se sujeita à Sua vontade, sabendo que são mandamentos de vida.

No entanto, existem várias coisas pelas quais não se pode ser vencido. Algo de que já se houve liberdade, mas, entretanto, insiste em batalhar para voltar a ocupar espaço. O dia-a-dia proporciona vários perigos. Entre eles, a fidelidade a uma situação construída, a uma imagem exibida ou a uma opinião relatada, pode ser ativista do escravismo.

São escravos aqueles que são mais fiéis ao ego do que a Deus. Precisam ser libertos aqueles que têm medo de voltar atrás de uma decisão equivocada. Sofrerão os que valorizam o momento presente ilusório em detrimento da restauração dos padrões cristãos em suas vidas. Chorarão, ainda mais, os que adiam o sofrimento inevitável. Os que insistem, em si, em negar a gravidade dos seus erros acumularão para si mais dores.

“O que confia no seu próprio coração é insensato, mas o que anda sabiamente escapará.” Pv 28.26
“Confia o teu caminho ao Senhor; confia nele, e ele tudo fará.” Sl 37.5

Wesley Santos Rezende

O momento com Deus

Ele tem seu particular com Deus, e isso não me causa ciúmes, pois Deus também me reserva a Sua atenção. Quando ele quer me introduzir na presença do Altíssimo, num momento de exclusividade, fico apreensivo. Mas não me culpo, pois as minhas virtudes não podem ser desmerecidas por causa de uma crise no relacionamento de alguém com o Senhor. E também, ninguém adentra a presença de Deus sem a Sua permissão.

Não é me negando a estar presente que vou ajudá-lo a aproveitar sua intimidade com Deus. Não é me acovardando em entrar num ambiente de discórdia que serei um servo útil ao Senhor. Apesar de tudo, a consciência de que a minha presença nem sempre é proveitosa me protege de vários inconvenientes.

Todos nós, num estágio da vida, precisamos de alguém que nos influencie. Alguém de que tenhamos admiração, que nos transmita segurança para podermos imitá-lo. Mas existem excessos, como o desejo de ter uma pessoa que sirva de mestre em tudo. Geralmente, a primeira personificação de perfeição é a dos pais. Mas devemos chegar a um estágio de maturidade em que os julguemos. Nunca deve faltar amor e honra por eles, mas aquilo que nos transmitem deve ser examinado (1 Ts 5.21), e assim, se for bem, deve ser estabelecido em nós. – “Quem ama o pai ou a mãe mais do que a mim não é digno de mim” (Mt 10.37). O apóstolo Paulo, criado aos pés de Gamaliel, que por sua vez, era homem venerado entre os judeus, exemplifica, em parte, a dependência proposital na humanidade. Mas Paulo se desvencilhou disso, mesmo Gamaliel tendo méritos, receber algo do Senhor é muito melhor. Ninguém substitui Cristo no lugar de perfeição. Não podemos esquecer que o único digno de glória, e honra e poder é o Senhor. É a Ele que devemos imitar em tudo. É a Ele que temos que convidar a estar presente em todos os momentos de nossa vida – “Vós me chamais Mestre e Senhor e dizeis bem, porque eu o sou” (Jo 13.13).

Posso ajudá-lo a entender isso. Não sou prepotente, às vezes caio no mesmo erro, mas me disponho em servir a Deus. É pela vontade de Deus que me arrisco em expor conhecimento: Saul e Davi não rejeitaram o reinado, mas atenderam a chamada divina. Mesmo sabendo que a princípio Deus tinha sido rejeitado pelo povo (1 Sm 8.7), não se sentiram culpados pelo fim da teocracia. Havia a promessa de estabelecer um reinado humano (Gn 17.6; 49.10), mas o povo se precipitou; não soube aproveitar o momento de exclusividade com Deus, não soube discernir o momento certo para expandir suas relações sociais. Mas, por amor, dentro das falhas de alguns, Deus prepara servos para amenizarem os distúrbios do cotidiano.

Mas eu tenho que lembrá-lo dos prejuízos: A ira do Senhor se acendeu contra Moisés por faltar-lhe fé (Ex 4.14). Deus tinha interesse na exclusividade da realização daquela obra por Moisés – “Vai, pois, agora, e eu serei com a tua boca e te ensinarei o que hás de falar” (Ex 4.12).

É proveitoso lembrar-se da morte. Deus fez Josué lembrá-la: “Moisés, meu servo, é morto” (Js 1.2). – E agora? Quando procuro alguém confiável para estar comigo perante o Senhor e não encontro, e pior, encontro a oposição da morte? Deus, após confrontá-lo com a lembrança da morte, responde a essa pergunta: “Não to mandei eu? Esforça-te e tem bom ânimo; não pasmes, nem te espantes, porque o Senhor, teu Deus, é contigo, por onde quer que andares” (Js 1.9).

Por fim, farei um novo desafio a ele: Ao contrário de me convidar para interromper o particular que Deus te oferece, quando for se aproximar de mim convide a Deus para te fazer companhia. Não quero estar entre você e Deus, mas quero que Deus sempre esteja entre nós.

“E Jesus disse-lhe: Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento. Este é o primeiro e grande mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo.” (Mt 22.37-39)

Wesley Santos Rezende

Um matuto goiano

– A gente é um bicho muito misterioso; o mundo é uma preguiça; a vida é uma piada. O Cruzeiro do Sul sumiu, está do lado de lá do mundo. ‘Ah, meu Deus, ele era a minha diversão’! Agora eu fico aqui, imaginando o quê, ou de quem, pode ser os barulhos que vem de lá do Enxadão (córrego). Será que são fantasmas? Hum... Não me importo, só quero passar o tempo (risos). De dia não tem diversão, não tem risos; a labuta não é fácil! Faço cara feia, aqui neste sertão, porque o povo daqui é tudo metido a bravo. Meu pai me ensinou assim, mas à noite, quando tomava a cachaça e pegava a viola, suas lágrimas corriam; seus versos rimavam na melodia, e eu me surpreendia, não conhecia aquele homem. Pela manhã, aquela intimidade tinha fim. Eu não bebo, não toco viola; mas gosto de servir um licor de jabuticaba pras visitas, e espero ansioso pra ver um violeiro chorar. De vez em quando eu vou na cidade, mas é só pra comprar um salzinho pra criação. As coisas lá na Rua (apelido da corrutela), tão agitadas (risos), estão falando na tal da internet; queriam até me vender aquela geringonça. Mas ainda não tinham uma pra me mostrar. Como vou saber se é de comer ou de jogar fora?

E chegou a televisão na roça:

– Rapaz... Mas tem bobo pra tudo nessa vida (risos)! Você viu o tal do Bonner contando aquela história, sabe qual né (risos)? Moço, como que ele fala que não pode matar os animais? Tem umas pragas de uns macacos ali; direto, estão no meu milharal. Agora é sério, o Obama vai ganhar. E o Lula já está rondando por lá né; o bicho não é bobo não, é igual meus porquinhos, quando não estão na lavagem, estão na merda (risos). Estou pensando em comprar o tal do computador, parece que todo mundo tem; capaz que eu consigo domar esse trem. Mas ainda não vi nenhum proveito nisso. Agora eu penso em férias, em aposentadoria. Mas a vida está mais difícil. Meu amigo, e não é que a crise mundial chegou aqui também! Ah, me lembrei, estou num mato sem cachorro; como eu explico que zero é nada? Será que é mesmo? Já estou nos nervos com o moleque.

E chegou o evangelho:

– Cristo é bom demais! Ele veio até aqui, no Mato Grosso. É rapaz... Agora eu sou crente. Ó, eu não faço mais os licores não. Deixa eu te ensinar umas coisas, calma aí... Pronto. Minhas vistas estão cansadas, me faça um favor, leia aqui pra mim...

E eu, o matuto, mais uma vez voltei pra cidade. E depois de muito tempo, me converti ao evangelho. Não me lembro o que eu li, mas me lembro de ver esperança naquele olhar, enquanto eu estava com a Bíblia em mãos. Todo constrangido, com medo de decepcioná-lo por não entender qual era o seu sonho, mas com o meu coração ardendo em amor. Agora, olhando para trás e vendo todos estes personagens mato-grossenses, reúno-os em um. Toda a vivência, toda a fantasia, e toda a interferência divina me fazem enxergar a Cristo, sim, o quanto o Senhor é melhor, maior e é amor.

Wesley Santos Rezende

Onde estou?

Nem sempre é fácil discernir o momento da vida em que se vive. Quando há sentimentos fortes envolvidos numa inter-relação tem-se a sensação de aproveitamento do tempo – sensação de vida. E mesmo na solidão, quando existem intensos pensamentos que envolvem um conjunto distinto de possibilidades para uma decisão ou expectativa, que conscientemente podem levar à tristeza ou à felicidade, tem-se um êxtase; por haver uma visão de controle da própria vida – as próprias escolhas produzindo um futuro, desejado ou não. É neste estado de ocupação intelectual que o homem pode se sentir feliz.

Qualquer prática é concomitante a sentimentos. Estas práticas e sentimentos podem ser considerados, no momento, desprezíveis. Mas num futuro, podem gerar algo relativamente interessante – o homem sempre está ligado ao seu passado. Separando as práticas dos sentimentos vê-se o quanto o homem é contraditório. E, sob a influência ímpar ou par, o homem se liga ao futuro. Nesta esperança também se encontra a expectativa nas atitudes das outras pessoas. Mas quando a dependência maior é em Deus todas as possíveis frustrações são superadas.

Ninguém dentro de um ímpeto de felicidade se sente uma vaidade. E, ninguém no mais profundo sentimento de solidão, ignora a possibilidade de uma interferência humana ou divina. São extremos que não podem afastar o homem do próprio Deus! O que é um sentimento profundo de solidão? Quando se conhece a solidão de fato, percebe-se que ela é restrita a momentos. O homem se sente isolado da sociedade, da família; e pior, isolado dentro de si mesmo, não conseguindo unir-se para viver – existe uma guerra dentro do homem. E nestes momentos notam-se desamparados por Deus. Como alguém ainda tendo expectativas em Deus pode se sentir só? É por causa da consciência dos pecados. – Cristo tomou os pecados dos homens sobre si, se fez maldição (2 Co 5.21; Gl 3.13). Isso fez com que Ele experimentasse a separação com Deus Pai (Is 59.2): “Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?” (Mt 27.46). Após isso, Cristo bradou: “Está consumado” (Jo 19.30). E então, entregou o espírito. Assim tiveram fim os seus sofrimentos, e se consumou a redenção da humanidade.

Todo sentimento de perdão é precedido pelo sentimento de culpa. É neste intervalo que o homem se sente distante de Deus. Mas o permanecer nesta solidão é algo complexo. Apesar de Deus sempre estar disposto a perdoar (exceto Mt 12.31), o homem nem sempre alcança esta graça (Mt 13.15), e às vezes, alcança somente depois de muita demora. Por um tempo, tenta justificar-se, em si, com pensamentos predestinalistas. E mesmo depois, quando entende que Cristo pode resgatá-lo, tem certas reservas – homem de pequena fé. Mas este autoflagelo não é suportável por muito tempo. Então, o homem clama por misericórdia!

E depois de ter recebido o perdão? Nasce uma nova criatura. Mas talvez esta nova criatura não se prepara para enfrentar as conseqüências de seu pecado. Então, o contrapor-se das lembranças do mal ao sentimento de possibilidades de vida em Cristo traz a tristeza. De fato, isto é duvidar do perdão. Às vezes, o próximo é quem conduz o homem a esta dúvida – devido à opressão –; ou o próprio se enfraquece por não estar obtendo vitórias em seu cotidiano – o que é ignorância, pois a maior vitória é estar em Cristo. Enfim, novamente se aproxima de Deus, e nisso ele é aperfeiçoado pelo Altíssimo – então, passa a ter um caminho linear rumo ao Céu, quebrando o ciclo culpa-perdão-dúvida-culpa.

Pobre homem é aquele que tarda para identificar suas culpas. Isso acontece quando não está valorizando a presença de Deus – devido às distrações não nota Sua ausência –, quando não tem a atenção focada no Reino de Deus, e na sua justiça. No entanto, de alguma forma, o Senhor revela a situação pecaminosa em que o homem possa se encontrar (1 Co 5.5; Hb 12.6). Assim, onde havia loucura; com a resplandecente glória do Senhor passa a existir discernimento.

Somente Deus pode revelar em que situação o homem se encontra! E é a partir do conhecimento de Deus que o homem se ocupará em algo que verdadeiramente pode fazê-lo abundar em felicidade.

“Porque a palavra de Deus é viva, e eficaz, e mais penetrante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até à divisão da alma, e do espírito, e das juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração.” (Hb 4.12)

Wesley Santos Rezende

Não conhecemos, ao todo, a criação; e menos ainda o Criador!

“Assim, me embruteci e nada sabia; era como animal perante ti.” (Sl 73.22)

Sentir a distância de sentimentos felizes, numa debilidade que impede qualquer resposta – esperada por outros a partir da incompreensão –, e exercer força contrária ao direito de ter a realidade mudada. Pensamento profundo que não chega a nenhuma conclusão.

Alguém que já vivenciou a felicidade teria o anseio de tê-la novamente, mas não quando o medo de novas desilusões cria uma visão de necessidade da economia de energia, numa época em que todas as coisas parecem contrárias. O retorno para a felicidade é adiado, devido ao entendimento de estar desperdiçando tentativas por causa da incerteza da forma com que os fatos acontecerão – tudo é almejado com diversas condições para ser perfeito. E esse adiamento não é visto como perca de tempo, mas como um momento fora de cronologia – loucura. Já bastam as faltas; do restante, a ilusão de estar estagnado resolve. Não há como agir; conforme as expectativas dos outros quando falta compreensão do espectador; e principalmente, conforme o desejo próprio quando o indivíduo não está convicto em nada; ou pior, quando está convicto de algo improvável:
       – Eu não vou ser feliz agora, porque eu não posso ser feliz agora. Eu não quero ser feliz agora!

Mas chega o momento de transigência, ninguém é tão forte a ponto de permanecer propositalmente numa hibernação intelectual. É como a sujeição a um vício, algo que pode ser acidental e progressivo; ou como a aceitação da natureza, simplesmente proposital. Algo rudimentar, na natureza humana, é a capacidade de raciocinar. Considerada imperfeita ou não, não importa. É algo que não se pode separar do homem!

Então, se a busca por valores reaproveitáveis é frustrada, por causa dos novos objetivos, inicia-se a formulação de novas ideologias – engraçado como tudo é condicionado ao provável, mas na verdade incerto, dia do amanhã. Primeiro, é necessário chegar a um conceito sobre a felicidade. Cada um tem o seu. Talvez mal pensado e certo, talvez muito pensado e errado. Certo ou errado, por haver a possibilidade de reformular esse conceito. Ah... Como estes homens são inconstantes! Segundo, é necessário construir uma espessa proteção contra os possíveis ataques ao ego. Os sentidos passam a funcionar de forma censurada ou restrita, dentro duma tentativa de autocontrole para conservar a equivocada sensação de paz. Mas tudo gira em torno da conquista da felicidade.

O homem é insensato, e sua aparência demonstra isso. “Todo prudente procede com conhecimento, mas o insensato espraia a sua loucura.” (Pv 13.16). Tudo isso é reflexo do distanciamento de Deus. “Pelo que também Deus os entregou às concupiscências do seu coração” (Rm 1.24).

Por outro lado; o encontro do homem com Deus. O Senhor abençoa com a paz que excede todo o entendimento; dá o entendimento em tudo. Que tipo de compreensão seria esta? A que nível de entendimento o homem pode chegar?

Com certeza não é algo como o conhecimento científico ou psicológico. Não há como estudar o homem sem considerar a presença divina. Tudo no homem é reflexo da intimidade ou rebeldia com Deus. Às vezes, o homem faz tudo para se mostrar independente, mas consegue justamente o contrário: Mostrar que Deus é o ator, a essência, e a própria vida.

E muito menos, é possível caracterizar Deus dentro de tais conhecimentos. “Mas Deus no-las revelou pelo seu Espírito; porque o Espírito penetra todas as coisas, ainda as profundezas de Deus.” (1 Co 2.10).

Agora, trágico é quando o homem tenta compreender aquilo que não foi revelado por Deus. Conceituar uma divisão na Trindade é algo extremo. É além, três Pessoas distintas que não deixam de ser Unidade. Mas surgem umas pérolas de arrogância:
       – Isto é o Espírito Santo quem faz, e isto é Deus Pai.
       – Não, isso foi o Espírito Santo quem fez, e não Jesus Cristo.
Mas nisso, me glorio em confessar que não compreendo. “Nisto, pois, está a maravilha: que vós não saibais de onde ele é e me abrisse os olhos” (Jo 9.30).

Condicionar a felicidade ao conhecimento de tudo traz somente decepção. E é verdade a ironia: “Eu disse: Vós sois deuses, e vós outros sois todos filhos do Altíssimo. Todavia, como homens morrereis e caireis como qualquer dos príncipes.” (Sl 82.6,7)

“Muitos dizem: Quem nos mostrará o bem? Senhor, exalta sobre nós a luz do teu rosto. Puseste alegria no meu coração, mais do que no tempo em que se multiplicaram o seu trigo e o seu vinho. Em paz também me deitarei e dormirei, porque só tu, Senhor, me fazes habitar em segurança.” (Sl 4.6-8)

Wesley Santos Rezende

“Dentre os seus filhos me tenho provido de um rei.” (1 Sm 16.1)

Toda glória, honra e poder pertencem ao Deus Altíssimo. Ao homem, toda glória, honra e poder vêm do Deus Altíssimo, ou com a permissão dEle. Aqueles que têm responsabilidades para com o povo de Deus recebem a unção do Santo. Aqueles que trabalham para a propagação do Evangelho são reconhecidos e honrados (por aqueles que são espirituais). É o caso de Davi, que foi escolhido para reinar, governar a nação separada – Israel. Atualmente, é o caso dos obreiros da Igreja. “E a uns pôs Deus na igreja, primeiramente, apóstolos, em segundo lugar, profetas, em terceiro, doutores, depois, milagres, depois, dons de curar, socorros, governos, variedades de línguas.” (1 Co 12.28).

O exercício dos dons espirituais tem o objetivo de sanar as necessidades da igreja do Senhor. Pelo zelo que Deus tem por todos nós, somos capacitados, mediante a fé, para intensificar a integração e edificação uns dos outros. Por causa das necessidades da congregação, é indispensável uma hierarquização dos dirigentes ministeriais. Tudo para haver ordem e decência.

Notadamente, existem muitos “obreiros” que não foram chamados por Deus. Mas conseguiram posição ministerial por pressionarem dirigentes irresponsáveis; ou por terem poder financeiro ou político são bajulados com cargos na igreja. São vários os que alimentam o próprio ego com o status de obreiro.

Mas aqueles que realmente foram chamados por Deus, podem-se regozijar pelo que são? Sim, é possível se alegrar e manter a humildade. “Mas prove cada um a sua própria obra e terá glória só em si mesmo e não noutro.” (Gl 6.4). “Na verdade, vós sois a nossa glória e gozo.” (1 Ts 2.20). “Porque a nossa glória é esta: o testemunho da nossa consciência, de que, com simplicidade e sinceridade de Deus, não com sabedoria carnal, mas na graça de Deus, temos vivido no mundo e maiormente convosco.” (2 Co 1.12).

Deus é maravilhoso, tem nos agraciado com bênçãos inesperadas. Paulo reconheceu esta graça. Ele que considerou que fora o principal dos pecadores foi chamado para apóstolo (1 Tm 1.15,16; Rm 1.1). Anteriormente, ele nunca tinha imaginado uma glória tão grande em sua vida, e que ocuparia um lugar de honra.

E sobre Davi, penso que ele nunca sonhou com o reinado antes de conhecer a Samuel. Mesmo sendo um jovem obediente, corajoso e dependente de Deus (1 Sm 17.32-37), não era reconhecido em sua família – mas “ os passos de um homem bom são confirmados pelo Senhor” (Sl 37.23). Penso que suas expectativas eram resumidas em coisas pequenas, por ser demasiadamente reprimido pelos irmãos. Não que ele não tinha esperança no Senhor, mas que ali também se cumpriu: “As coisas que o olho não viu, e o ouvido não ouviu, e não subiram ao coração do homem são as que Deus preparou para os que o amam.” (1 Co 2.9).

Ninguém consegue impedir a vontade de Deus. Mesmo com as possíveis improbidades nas convenções eclesiásticas, aqueles que são chamados por Deus e permanecem fiéis ocuparão a posição ministerial que Deus julga conveniente. Agora, na verdade podemos até não pensar em ser pastores, doutores, pregadores, etc. Mas se sabemos que somos escolhidos para SERVIR a Deus, o Senhor pode nos pôr em posições de certo poder e honra quando achar útil.

“Fui achado pelos que me não buscavam, fui manifestado aos que por mim não perguntavam.” (Rm 10.20)

Wesley Santos Rezende